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Curiosidades aparentemente despretensiosas podem gerar resultados e pesquisas bastante interessantes. Isto foi o que o doutorando em Engenharia Elétrica pela UFMG Guilherme Couto mostrou com uma pesquisa que surgiu numa disciplina do curso, Redes Complexas. “Nesta disciplina, aprendemos métricas para analisar redes com muitos nós e muitas arestas. Para isto, temos algumas a responder, por exemplo: quais nós são os mais influentes? Que arestas, se retiradas, dividem a rede ao meio? Qual o nó mais conectado? E por aí vai”, explica Couto.


Partindo destas questões, ele conta que ele e os colegas receberam a tarefa de analisar redes e combinar estas perguntas e métricas. “Este tipo de coisa é bastante utilizado em análise de redes sociais e este foi o caminho escolhido por muitos dos meus colegas”, conta ele. “Eu queria fugir do mainstream e resolvi analisar a malha aérea brasileira”, conta.


A partir desta pesquisa, Couto acabou por se deparar com dados que podem ser bastante úteis, além de interessantes. “Com o fluxo de entrada de passageiros que temos hoje, que é de 43 mil pessoas por semana, demoraria cerca de três meses e meio para todos os turistas que vêm para a Copa do Mundo entrarem no país caso não haja alterações na malha aérea”, conta.


Os dados utilizados na análise foram recolhidos junto à ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil) no último outubro. Couto cruzou-os com os de fevereiro deste ano para ver se algo mudou, mas não é o que parece. “Hoje, o fluxo semanal de passageiros aumentou para 45 mil pessoas, o que não é um grande aumento. Mas ainda é preciso fazer uma análise mais detalhada dos dados”, afirma.


Ele também percebeu que o aeroporto de Guarulhos é o mais importante do país no que toca aos voos internacionais, mas o de Campinas é o mais conectado. “Viracopos é o aeroporto onde se faz mais escalas no Brasil em voos domésticos”. O problema com isso é que a resiliência da rede pode ser bem pequena quando se concentra a maior parte da atividade em alguns poucos aeroportos importantes. “Se um deles tem algum problema, pode tirar muitos aeroportos da rede, separando-a”, constata Couto.


A pesquisa afinal ficou tão interessante que se transformou em artigo a ser apresentado no XL SEMISH – Seminário Integrado de Software e Hardware, da Sociedade Brasileira de Computação (SBC) – que acontece este julho em Maceió. Sob recomendação da professora do Departamento de Engenharia Elétrica da UFMG e pesquisadora do Namitec Linnyer Beatrys Ruiz, e dos também professores na UFMG Ana Paula Silva e Fabrício Benvenuto, o estudo será publicado nos anais da Academia Brasileira de Ciências.


Para Couto, o estudo, além de poder ajudar o Brasil a entender um pouco mais sua malha aérea, vai servir como base para pesquisa de redes sensores. “Sistemas embarcados de microchips também são uma espécie de rede complexa”, diz. “A conexão de transistores em uma rede interna precisa se ajustar de maneira utilizável porque têm de dissipar calor. As métricas usadas nesse trabalho podem ajudar a fazer o cálculo de maneira otimizada sobre como projetar estas redes”, completa.

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