Pesquisadores brasileiros desenvolveram um estudo que resultou na produção de um chip que pode ser usado como termômetro para monitoramento contínuo de pacientes. A vantagem que o dispositivo apresenta é que dispensa o uso de fios e baterias acoplados. A pesquisa, que vem sendo desenvolvida há cerca de um ano e meio, discute alguns de seus resultados no artigo “An RF-Powered Temperature Sensor Designed for Biomedical Applications”, que recebeu o Best Paper Award do Symposium on Integrated Circuits and Systems Design (SBCCI), ocorrido em Curitiba entre 2 e 6 de setembro.

O dispositivo, desenvolvido pelo grupo de pesquisa liderado por Fernando Rangel no departamento de Engenharia Elétrica da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), tem a vantagem de ser mais eficiente e ter vida útil mais longa que os que estão no mercado. Gustavo Martins, co-autor do artigo, diz que isso é possível porque “a bateria tem uma vida útil de até uma década”. E acrescenta que “com circuito integrado, conseguimos fazer um dispositivo pequeno, confortável para o paciente usar – e que pode até ser implantado nos pacientes num estágio futuro”.

Martins conta que foi possível fabricar um sensor sem bateria porque ele recebe energia de um dispositivo leitor que está fora do corpo do chip – e este sim, tem bateria ou é ligado à tomada, ”e transmite energia através de uma onda de rádio frequência. Assim, o dispositivo consegue pegar o sinal, retificá-lo e gerar energia para alimentar o sensor”, especifica. Num futuro próximo, “adicionar compatibilidade com padrões RFID (identificação de radiofrequência) correntes no mercado pode facilitar o uso do dispositivo em ampla escala porque o tornaria adaptado a padrões bastante utilizados na indústria”, avalia.

A ideia, que ainda deve demorar um pouco para ser produzida em larga escala, já mostra seu potencial de inovação e aceitação por parte da comunidade científica – e a premiação é prova disto. “A importância dela vai além da visibilidade que traz para o nosso trabalho e para o Namitec. Mostra que as pessoas estão gostando do que a gente faz por aqui”, conta Martins. Além disso, os autores dos melhores trabalhos apresentados na SBCCI são convidados a enviar versões estendidas dos seus resumos, que podem ser consideradas para publicação nos periódicos JICS - Journal of Integrated Circuits and Systems e IEEE Design & Test of Computers.

O SBCCI tem periodicidade anual e é co-promovido pela SBC, SBMicro, IEEE CAS, ACM SIGDA e IFIP WG 10. A edição deste ano, realizada pelo SBMicro e SForum, se deu junto à Chip IN Curitiba e reuniu pesquisadores em circuitos integrados do Brasil e de outros países. 

 

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Legenda: Imagem do dispositivo desenvolvido pelo grupo

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