No último dia 15 de setembro, o Serviço Social da Indústria (SESI) e o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) anunciaram os 31 vencedores do edital Senai/Sesi de Inovação, que investirá cerca de R$10 milhões em projetos de inovação tecnológica em todas as regiões do país. Entre os vencedores está um sensor nanoestruturado, desenvolvido para identificar o padrão químico do óleo de copaíba, planta abundante na região amazônica. A pesquisa se encontra em desenvolvimento no Instituto SENAI de Inovação (ISI) do Amazonas. Coordenado por Walter Brito, professor e pesquisador da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), o projeto tem parceria com a Prönatus, empresa também amazonense que atua na fabricação de cosméticos. Antes de ser admitido na UFAM como professor, Brito foi bolsista de pós-doutorado do Namitec, que foi quando começou a trabalhar no projeto – posteriormente adotado como linha de pesquisa no grupo que coordena na universidade.

De acordo com o professor José Roberto Casarini, diretor do ISI Amazonas, o contato com a Prönatus se estende por mais de quatro anos, quando a ideia do sensor surgiu – e observa que o fato de o dono da empresa ser professor da Universidade Federal do Amazonas facilitou o contato em torno da inovação potencialmente trazida pelo sensor. A parceria foi importante para que o projeto fosse aprovado. “O Edital especifica que o projeto deve ser submetido por uma empresa com vistas de aplicar a inovação desenvolvida e, desde o ano passado estamos tentando aprovar este projeto junto ao Senai/Sesi. A concorrência é muito alta – 16 projetos inscritos a cada um aprovado – e estamos satisfeitos com o resultado deste ano”, diz Casarini.

O óleo de copaíba tem diversas aplicações – sendo usado desde no tratamento de doenças como psoríase e eczema à bronquite. Serve também como base de diversos cremes e géis para hidratação e tratamento da pele. Atestar a pureza do óleo garante maior qualidade dos produtos que o utilizam como matéria-prima. Assim, o objetivo do sensor é ser capaz de acusar a adição de óleos como de soja dissolvidos em meio ao óleo de copaíba em processos industriais. Casarini diz que o processo utilizado hoje, químico, não permite que esta diferenciação seja feita com eficiência, precisando de processos mais caros e demorados para se chegar a um resultado satisfatório. “O sensor será um teste mais rápido para determinar o marcador principal do óleo de copaíba, que se distingue do óleo de soja ainda que tenha uma quantidade pequena desse marcador” – no caso, o ácido copeico.

copaiba fruto

Fruto de copaíba. Foto: site Forma Saudável

Para tal, os pesquisadores da UFAM e do SENAI-AM estão desenvolvendo uma nanocamada que, colocada sobre um eletrodo do sensor, será capaz de detectar moléculas de ácido copeico. “Esta molécula gera uma corrente baixa quando em contato com o eletrodo – o que não acontece com moléculas de outros tipos de óleo”. Eles usam amplificadores eletrônicos para melhor perceber as correntes e, para captá-las com mais precisão, estão trabalhando em um potenciostato portátil (usado para medir correntes geradas por um sensor que, muito pequenas, não conseguem ser medidas com um voltímetro normal).

Depois de muitos testes bem-sucedidos demonstrando o funcionamento efetivo do sensor, a equipe de pesquisadores agora trabalha no encapsulamento do sensor. “Estamos trabalhando em dois tipos de encapsulamento: um que permite mergulhar o sensor inteiro em um tanque de óleo de copaíba para fazer medições e um que deixa apenas um ponto de contato descoberto, sobre o qual será pingado o óleo para análise”, conta Casarini. Os pesquisadores estão testando o limite de sensibilidade do sensor para concluir qual das duas opções é a mais viável. “Pode ser que se colocarmos uma gota não tenhamos quantidade de carga o suficiente para detectar. Então, esta otimização também está sendo feita”, completa ele.

O objetivo da equipe é chegar a um protótipo passível de ser produzido em escala industrial em, no máximo, 18 meses depois de assinado o contrato com o SENAI – o que deve acontecer no início de dezembro. Eles receberão cerca de R$300 mil do Edital para o desenvolvimento e já encontraram uma empresa para fabricar o sensor assim que tiver todas as especificações. Casarini diz que a fase agora não é mais de desenvolvimento científico, mas sim tecnológico. “Já provamos que o conceito funciona, agora queremos desenvolver um protótipo que funcione em várias condições para que possamos produzi-lo em maior escala”, conta. 

Centro de Tecnologia da Informação Renato Archer – CTI
Rod. D. Pedro I (SP-65) Km 143, 6, Amarais | CEP. 13069-901 | Campinas – SP | (19) 3746-6188
Financiado com recursos CNPq Proc 573738/2008-4 e FAPESP proc 08/57862-6

 

CAPES CNPq Fapesp INCT CTI Renato Archer MCTI  marcadogovernofederal-2015